Canções Inéditas
A DAMA E OS VAGABUNDOS
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga
CHORO BARROCO
(Rogério Leonel/Jorge Fernando dos Santos),
com Lígia Jacques
DEVOÇÃO
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga
MEU CARO AUSIER
(Valter Braga),
com Valter Braga
O PACTO
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga
A DAMA E OS VAGABUNDOS
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga

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Já é noite alta
A cachorrada zanza solta
Revirando lata e fazendo muito auê
Pra não dar vexame
A cadelinha da madame
Vive na coleira, é uma legítima basset
Madame é zelosa e exibe o pedigree
Orgulhosa
Não dá liberdade não
No meio da rua
Um cão sem dono uiva pra lua
Farejando a “gata” que reside no apê
A fêmea no cio
Pega fogo, sente frio
O condomínio sabe e faz de conta que não vê
Madame é casada e tem um caso com o chofer
Liberada
Namora na contramão
E a basset
Atada na coleira sonha se perder
De paixão
Pode crer!
Soltar a franga feito a dona para ter
Vida de cão…
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CHORO BARROCO
(Rogério Leonel/Jorge Fernando dos Santos),
com Lígia Jacques

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Na catedral
Eu vi voar o arcanjo do vitral
Já brilha o Sol
São João del-Rei eu sei a oração
Procissão já vai sair da Sé
A rezar e a cantar, paixão e fé
Segue no andor
A Virgem mãe e o filho Salvador
Nosso Senhor!
São João del-Rei direi “quanta emoção!”
Procissão já vai passar a pé
A vagar em nome do Redentor
Com ladainhas de louvor
Salve-rainhas de fervor
E o sino a anunciar
Uma pomba voa ao léu
Vejo Deus sorrir no céu
Lembro um quadro de Guignard
E num bar, ouço Bach que dedilha o cravo
Tem coral a solfejar
Pedra sabão a escorregar
No céu a lua a rebrilhar
E o sino a anunciar...
Na catedral
Eu vi pousar o arcanjo no vitral
Desmaia o Sol
São João del-Rei não sei que horas são
Procissão já vai chegar na Sé a rezar...
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DEVOÇÃO
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga

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Eu fui à Penha pagar a promessa de amor que fiz
Beijei a fita, acendi uma vela lá na matriz
Rezei um terço ajoelhado no altar
Nunca mais nesta vida
Quero me apaixonar
Dia de festa, na procissão, carreguei o andor
Olhei a santa com devoção, mas senti pavor
O seu semblante me fez lembrar a mulher
A bandida que eu amo
Que tanto me faz padecer
Paixão assim só pode ser transa de ebó
É coisa feita feitiço de catimbó
Rogai, ó senhora!
A dor me apavora…
(Eu fui à Penha para rezar)
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MEU CARO AUSIER*
(Valter Braga)

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O frango com quiabo
Que você nos prometeu
E não saiu
Que a culpa foi do Paulo
Que foi primeiro de abril...
- Desculpas mil -
Me veio agora na memória, Ausier
Pois é, fazer o quê?
Escorregaste e ficamos sem cocó
(Só com a cara de bocó)
Mulher é o diabo
E, quando quer, faz do rapaz um zé-mané
E a moça do prezado
Não deixou que ele fosse ao fuzuê
Não é só o Paulo que tem boca, Ausier!
Você fincou o pé
E não é legal deixar a turma na pior
(Teve um ali que desmaiou)
O estrambo na cacunda
Cadê sua panela funda, Ausier?
O ronco que retumba
Não é choro de cuíca
A dica que te dou é ligar
Nos convidando pr’outro jantar
Ou pode ser almoço
Que a galera vai gostar
* Letra publicada no livro Caiçara
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O PACTO
(Valter Braga/Jorge Fernando dos Santos),
com Valter Braga

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Noite, alta madrugada
Vai um vulto pela estrada
O cruzeiro, a encruzilhada
Uma luz a lumiar: luarão
No chocalho da serpente
Vibram notas num repente
A viola é (a)parente
Alaúde, violão
Rezou a reza
A presa ilesa do amor
Diamante é pedra rara
Bem difícil de encontrar
Violeiro se compara
A garimpeiro a garimpar
E vai sim...
Na fumaça, o roseano
Rio abaixo, o oceano
Uiva um lobisomem insano
Corpo e alma a se perder: é o cão!
O tinhoso pactua
Galo canta, o homem sua
“Vade-retro”, ele flutua
Abre as asas, o azarão
Pisou na brasa
A brisa suaviza a dor
Diamante é pedra rara
Bem difícil de encontrar
Violeiro se compara
A lapidário a lapidar
E cai sim...
Quando o dia amanhece
O virtuose já esquece
Mas o acordo não fenece
Cumpre a sina o pecador
Melo...dia e noite na poesia
Um escravo canta a dor
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