Virou pesadelo. O telemarketing não nos dá sossego. O telefone fixo toca a toda hora, inclusive fora de hora. A gente corre para atender pensando que é urgente. É o corretor de seguros tentando nos vender uma apólice. Outra chamada. É a moça de voz sensual oferecendo cartão de crédito, assinatura de TV a cabo ou uma vaga no cemitério. O celular apita. É mais um anúncio da operadora, cuja habilidade para vender contrasta com a lerdeza no atendimento aos clientes.

Vale tudo no telemarketing, inclusive assassinar a língua com o maldito gerundismo, que usa mais de um verbo para “estar dizendo” o óbvio. Vendem de tudo, inclusive a própria mãe. E o pior é que costumam entregar! Também atacam pela Internet. Mandam tudo quanto é porcaria via e-mail. Ofertam produtos made in China, Viagra, alongamento de pênis, pornografia barata. Vírus, muitos vírus.

Os donos de serviços de telemarketing não têm alma, compaixão nem desconfiômetro. Exploram jovens que estão desesperados para arranjar o primeiro emprego. Trancam os pobres numa baia com telefone monitorado, sem merenda e sem direito de ir à casinha. Exigem produção, vendas, lucros e não aceitam o “não” como resposta.

O telemarketing é uma das mais terríveis invenções do homem. É pior que a guilhotina ou a bomba atômica, que pelo menos matam depressa. O telemarketing elimina aos poucos, torrando nossa paciência, desconectando nossos neurônios a cada nova ligação. Insistem todos os dias com a mesma lorota, enchendo o saco, ocupando nosso tempo, nosso telefone, nossas vidas. 

O inferno com certeza é um imenso serviço de telemarketing, com um punhado de demônios ligando a cada minuto para o pecador, oferecendo produtos e serviços até então desnecessários. Sem lei e sem limites, as operadoras nos torturam com prazer e sadismo, como se ninguém tivesse mais nada pra fazer, a não ser atender ao telefone ou ler e-mails de desconhecidos.

Consumidores do mundo, uni-vos contra o telemarketing! Boicotem as empresas e serviços que usam e abusam desse maldito dispositivo de vendas e promoções! Dêem preferência àqueles que respeitam sua privacidade e que nunca enviam mensagens sem sua prévia autorização! Talvez assim os bambas do ramo aprendam a respeitar o ser humano que está do outro lado da linha.

Privacidade ainda que tardia! Este deveria ser o lema do consumidor num mundo globalizado que assiste boquiaberto à crise do capitalismo e ao fim do neoliberalismo com tudo o que ele tem de ruim. Que o telemarketing morra junto - já vai tarde! -, para o bem da humanidade.