10 jun 2010
A cantora Lígia Jacques entra no clima de Copa do Mundo e se apresenta nesta quinta-feira, 17 de junho, às 20h30, no Mezzanino da Travessa, Rua Pernambuco, 1.286, 2º andar, na Savassi. O nome do show é Choro Cantado – Uma Seleção Musical. O repertório reúne músicas do seu novo CD e outros clássicos do choro. Destacam-se Conversa de Botequim (Noel Rosa e Vadico), Um a Zero (Pixinguinha, Benedito Lacerda e Nelson Angelo) e Meu Caro Amigo (Francis Hime e Chico Buarque), cujas letras falam de choro e futebol.
No Almanaque do Choro, o pesquisador André Diniz destaca que “o futebol e o choro, mesmo com regras básicas, guardam sua vivacidade nas trilhas dos improvisos, nos dribles inesperados de Garrincha e Pelé, nas bicicletas singulares de Leônidas da Silva, nos contrapontos de Pixinguinha, nas frases inusitadas dos músicos solistas”.
Lígia lembra que Um a Zero foi composto para homenagear a vitória do Brasil contra o Uruguai, com o gol de Friedenreich decidindo o campeonato sul-americano de 1919. “A letra foi feita muito tempo depois por Nelson Angelo, um mineiro bom de bola nascido na Rua da Bahia”, ressalta.
Seu novo CD é dedicado a Ademilde Fonseca. Com arranjos e direção musical de Rogério Leonel, Choro Cantado reúne cinco clássicos do repertório da rainha do choro e cinco faixas inéditas, ricas em citações musicais que reverenciam mestres como Ernesto Nazareth, Chiquinha Gonzaga, Pixinguinha e o contemporâneo Guinga. Lígia é uma das convidadas de Ademilde para o show em comemoração aos seus 90 anos, em 2011, no Rio de Janeiro.
HISTÓRIA DO CHORO
Surgido em meados do século 19, sob forte influência da polca e do lundu, o choro se tornou o principal gênero instrumental da música brasileira. Com excelentes melodias valorizadas pela performance de grandes instrumentistas, muitos clássicos do gênero também ganhariam letras, algumas assinadas por poetas como Vinicius de Moraes, co-autor de Odeon (de Ernesto Nazareth), e João de Barro, letrista de Carinhoso (o clássico de Pixinguinha).
Lígia Jacques afirma que a proposta do CD Choro Cantado foi justamente registrar choros melodicamente ricos, mas que também se destacam pela qualidade das letras. Para tanto, foram selecionadas 10 composições que dialogam entre si, unindo música e letra com precisão, valorizando a poesia e o canto. Destacam-se, por exemplo, Tico-Tico no Fubá (Zequinha de Abreu e Eurico Barreiros), Pedacinhos do Céu (Waldir Azevedo e Miguel Lima) e Títulos de Nobreza – Ademilde no Choro (João Bosco e Aldir Blanc).
Em algumas faixas, a cantora faz quatro vozes, formando um quarteto desdobrado em oito canais de gravação. Uma curiosidade é que Choro Barroco (de Rogério Leonel), carro chefe do seu primeiro disco, ganhou letra do escritor, compositor e jornalista Jorge Fernando dos Santos. Ele assina a produção do novo CD e outras quatro letras do repertório, três em parceria com Valter Braga e uma com Chiquinha Gonzaga.
CARREIRA DE SUCESSO
Belo-horizontina da gema, Lígia estudou técnica vocal na Fundação de Educação Artística, é integrante do quarteto Tom Sobre Tom, professora de voz e de técnica vocal. Realizou vários espetáculos e oficinas, participou de mais de 30 discos de artistas como Marcus Viana, Ladston do Nascimento, Hudson Brasil, Toninho Camargos, Geraldo Alvarenga e Rubinho do Vale. Também cantou em shows de Clara Sverner, Guinga e Francis Hime. Com o CD Choro Barroco, recebeu três indicações para o Prêmio Caras de Música.
Em 2004, ao lado do marido e parceiro Rogério Leonel, Lígia Jacques se apresentou no Circuito Cultural do Banco do Brasil. Em 2005, ambos participaram do programa Talentos, da TV Câmara, em Brasília. Em 2008, ela gravou programas na Rádio MEC, no Rio de Janeiro. Lígia é preparadora vocal e integrante do elenco do espetáculo Missa dos Quilombos, montagem carioca da Companhia Ensaio Aberto, com músicas de Milton Nascimento, textos de Dom Pedro Casaldáliga e Pedro Tierra, direção musical de Túlio Mourão e direção geral de Luiz Fernando Lobo.
O CD Choro Cantado foi gravado no estúdio Fábrica de Música, com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte. Rogério Leonel tocou violão, fez os arranjos e a direção musical. Já a direção artística coube a Jairo de Lara, flautista e saxofonista em várias faixas. Também tocaram no disco Milton Ramos (contrabaixo acústico) e Serginho Silva (percussões).
A produção executiva foi de Tião Rodrigues, a arte do encarte de Adriano Alves e as gravações e mixagem foram feitas por Jairo de Lara e Eloísio Oliveira. O disco teve ainda as participações especiais de Ausier Vinícius (cavaquinho), Celso Adolfo (voz) e Hudson Brasil (bandolim). No dia do show será vendido a R$25,00 (preço promocional). Além de Lígia Jacques (vocal), o espetáculo Choro Cantado – Uma Seleção Musical terá a presença dos músicos Rogério Leonel (violão e arranjos), Bill Lucas (percussão) e Jairo de Lara (Flauta e saxofones). Os textos ficam por conta de Jorge Fernando dos Santos.
Ingressos individuais: R$ 20.
Mesa para quatro pessoas: R$ 70.
Informações e reservas pelos telefones: (31) 3223-8070 e 9764-9173
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