O programa mais antigo do rádio

De segunda a sexta-feira, às 17h, a sanfona de Rubens Diniz sapeca pela Rádio Inconfidência AM, de Belo Horizonte (MG), o clássico Campo Belo, composição rancheira de Antenógenes Silva. Trata-se do prefixo de Hora do Fazendeiro, o programa radiofônico mais antigo do Brasil – talvez do mundo –, transmitido ininterruptamente há 73 anos em ondas médias e curtas, e hoje também pela internet.

A primeira transmissão foi ao ar em 7 de setembro de 1936, quatro dias depois da inauguração da rádio pública de Minas Gerais. Apresentado por Tina Gonçalves e Cristiano Batista, o programa passou por uma reformulação em junho de 2009, sendo ampliado de uma para duas horas de duração. Na retaguarda estão o superintendente de Jornalismo, Getúlio Neuremberg, e o coordenador artístico da emissora, Gustavo Abreu.

Segundo a produtora Aline Louise Moreira, o objetivo da equipe de produção sempre foi “dialogar com o homem do campo”, oferecendo serviços, boletim meteorológico, cotação de produtos agrícolas, dicas, receitas caseiras e a autêntica música caipira. Outra missão que não fica de lado é a prestação de serviços aos ouvintes urbanos, que podem, por exemplo, aprender a montar uma horta em apartamento ou numa pequena área do quintal.

Linguagem específica

Tina Gonçalves apresenta Hora do Fazendeiro desde a década de 1970, quando o programa ia ao ar ainda pela manhã. Ela trabalhou ao lado de Bentinho, Delmário, Caxangá, Geraldo Eustáquio e José Penido, nomes lendários do rádio mineiro. “O segredo do nosso sucesso é que não havia programas direcionados ao homem do campo, naquela época”, afirma.

“A TV não tinha o alcance de hoje e o homem do campo não dispunha de acesso a agrônomos e veterinários”, acrescenta a apresentadora. Segundo ela, o programa propiciou esse contato, orientando o ouvinte no seu dia-a-dia na roça. “Além disso, trouxemos a música de raiz, mensagens de ouvintes e a seção de desaparecidos, na qual procuram-se notícias de parentes e amigos que estão longe de casa”, ressalta.

Cristiano Batista começou a apresentar Hora do Fazendeiro há quatro anos, substituindo o locutor José Penido. “Usamos uma linguagem específica, pois o público padrão inclui o fazendeiro e o trabalhador rural”, ele explica. “Temos também ouvintes na capital e aqueles que gostam do programa por causa da música caipira. Muita gente liga apenas para ouvir o próprio nome no rádio, enviando lembranças a amigos e familiares distantes.”

Num especial apresentado quando o programa comemorava 70 anos, um dos entrevistados foi João Moreira, de 85 anos, ouvinte desde os tempos em que era fazendeiro, em Barão de Cocais, há mais de meio século. “Esse programa é uma maravilha”, disse ele, resumindo o sentimento da audiência. “Meu filho até já ofereceu música pra mim, lá de São Paulo… Meu rádio só fica ligado na Inconfidência.”

Marca do pioneirismo

A iniciativa de se criar uma rádio difusora em Minas Gerais foi articulada na década de 1930, durante o governo de Benedito Valadares. Quem viabilizou a ideia foi o secretário de Agricultura e futuro governador, Israel Pinheiro. O transmissor da terceira emissora a ser inaugurada em Belo Horizonte – depois das rádios Mineira e Guarani – foi adquirido graças a contribuições de prefeituras do interior, que doaram cerca de dois contos de réis ao governo estadual.

Com os estúdios instalados na antiga Feira Permanente de Amostras, na Praça Rio Branco, a emissora foi inaugurada às 19h de 3 de setembro de 1936. Entre as autoridades presentes estavam o ex-presidente Venceslau Brás e o ministro da Agricultura de Getúlio Vargas, Odilon Braga. Intelectuais e artistas como Tristão de Athayde, Almirante, Carmen Miranda e Orlando Silva também deram o ar da graça. Naquele mesmo mês seria inaugurada no Rio de Janeiro a legendária Rádio Nacional.

O primeiro slogan da “PRI-3″ dos mineiros foi “a voz de Minas para toda a América”. Em 1938, a Inconfidência foi uma das primeiras rádios do continente a transmitir uma Copa do Mundo de Futebol – a terceira delas, realizada na França, com notável desempenho da seleção brasileira. Pioneira belo-horizontina também nas radionovelas e nos programas de auditório, a emissora sempre teve Hora do Fazendeiro entre seus campeões de audiência.

Competência premiada

O sucesso do programa rural certamente contribuiu para que a Inconfidência ganhasse em 2009 o Prêmio Mídia do Ano em Comunicação Empresarial (categoria rádio), conferido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje). Também no ano passado, sob a presidência do escritor e jornalista José Eduardo Gonçalves (que hoje preside a Rede Minas de Televisão), Hora do Fazendeiro conquistou o Prêmio Abimilho, com uma série de reportagens sobre o milho na cozinha brasileira.

Atualmente presidida pelo jornalista Valério Fabris, a emissora oficial de Minas firmou-se entre as principais do país. Basta dizer que a Inconfidência FM 100,9, que acaba de completar 30 anos de funcionamento, tornou-se uma trincheira da MPB, com programação de música 100% nacional. O padrão foi implantado por Claudinê Albertini, em 1980, no auge a chamada “invasão cultural”, sendo mantido até hoje e se tornando um importante diferencial frente à concorrência.

Para orgulho dos seus ouvintes mais fiéis, a Inconfidência FM foi cognominada “a brasileiríssima”. Em sua equipe sempre se destacaram profissionais que primam pelo bom-gosto musical, como os programadores Kiko Ferreira, Luiz Marcelo, Paulo Bastos, Miguel Rezende e o apresentador Tutti Maravilha, dono de um estilo inconfundível, que se tornou um dos símbolos do rádio mineiro.

* Reportagem escrita para o jornal Pauta, do SJPMG, e somente publicada no site do Observatório da Imprensa, em 3/3/2010.

 

Capa do disco Choro Cantado

Dia 10 de março, quarta-feira, a partir das 19h, Lígia Jacques autografa o CD independdente Choro Cantado, no restaurante Cozinha de Minas (Rua Gonçalves Dias, 54, Funcionários). Trata-se do seu segundo disco solo, no qual ela presta uma justa homenagem à rainha do choro, Ademilde Fonseca. Viabilizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte, o CD reúne cinco clássicos do gênero e cinco faixas até então praticamente inéditas.
Surgido em meados do século 19, no Rio de Janeiro, sob forte influência da polca e do lundu, o choro se tornou o principal gênero instrumental da música brasileira. Com excelentes melodias valorizadas pela performance de grandes instrumentistas, alguns clássicos do gênero também ganhariam letras assinadas por grandes poetas como Vinicius de Moraes, co-autor de Odeon (de Ernesto Nazareth), e João de Barro, letrista de Carinhoso (do mestre Pixinguinha).
A proposta do projeto Choro Cantado foi justamente registrar e resgatar choros que se destacam também pelas letras. O objetivo da produção foi unir música e letra com precisão, valorizando a poesia e a interpretação de Lígia Jacques, cantora de grande talento e perfeita técnica vocal - que fazem dela um dos grandes talentos musicais de Minas Gerais e do Brasil.
Gravado entre maio e novembro de 2009 no estúdio Fábrica de Música, com recursos do Fundo Municipal de Cultura de Belo Horizonte e produção de Jorge Fernando dos Santos, o disco tem arranjos e direção musical de Rogério Leonel, que também toca os violões. A direção artística coube a Jairo de Lara, flautista e saxofonista em várias faixas. Tocam no disco Milton Ramos (contrabaixo acústico) e Serginho Silva (percussões).
A produção executiva coube a Tião Rodrigues, a arte a Adriano Alves e as gravações ao Jairo e ao Eloísio Oliveira. Destacam-se as participações especiais de Ausier Vinícius (cavaquinho, na faixa Pedacinhos do Céu), Celso Adolfo (voz em Domingueiro) e Hudson Brasil (bandolim, no maxixe Satan, de Chiquinha Gonzaga, com letra inédita). Confiram uma amostra do trabalho ouvindo Romanceando, de Valter Braga e Jorge Fernando dos Santos. O CD está sendo vendido a R$30 o exemplar. Dois discos saem por R$50.

Duas décadas sem Rubem Braga

Este ano completam-se duas décadas da morte de Rubem Braga. O sabiá da crônica, como foi chamado por Stanislaw Ponte Preta, deu o último suspiro na noite de 19 de dezembro de 1990, num quarto do Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, vítima de parada respiratória devido a um câncer de laringe do qual se recusara a tratar.

Dois dias antes, ele se reuniu com os amigos mais próximos, entre eles Otto Lara Resende e Moacyr Werneck de Castro, em sua famosa cobertura da Rua Barão da Torre, em Ipanema, onde cultivava árvores frutíferas. O encontro foi uma espécie de despedida, na qual o cronista avisou que morreria sozinho, como sempre procurara viver.

Nascido a 12 de janeiro de 1913, em Cachoeiro de Itapemirim (ES), Rubem Braga foi acima de tudo um jornalista. Saiu de sua terra natal ainda menino, depois de um desentendimento com o professor de Matemática, que o chamara de burro. Foi estudar no Colégio Salesiano de Niterói. De lá, iniciou os estudos de Direito ainda no Rio, vindo a se formar em Belo Horizonte, em 1932.

O cronista praticamente iniciou a carreira de jornalista no extinto Diário da Tarde. Ele cobriu a revolução daquele mesmo ano pelos Diários Associados e conheceu Juscelino Kubitschek e Adhemar de Barros no front da Serra da Mantiqueira. Em 1936, ainda em BH, casou-se com Zora Seljan – de quem se desquitaria – mãe de Roberto Braga, seu único filho. No mesmo ano publicou o primeiro livro, O Conde e o Passarinho, pela Editora José Olympio.

No campo de batalha

Ao lado de Joel Silveira, Rubem Braga foi correspondente de guerra do Diário Carioca. Tal experiência lhe inspirou o livro Com a FEB na Itália, de 1945. De volta ao Brasil, morou em Recife, Porto Alegre e São Paulo, antes de fincar raízes no Rio de Janeiro. De temperamento combativo e jeito turrão, também exerceu as funções de repórter, redator e editorialista, sendo preso mais de uma vez durante a ditadura do Estado Novo.

Durante o governo de Jânio Quadros, foi embaixador no Marrocos, mas não se adaptou às funções diplomáticas. Sua vocação era escrever e parece que só isso o satisfazia. Quando morreu, era funcionário da TV Globo, na qual fora trabalhar a convite do amigo Edvaldo Pacote, segundo o qual “ele escrevia todos os textos que exigiam mais sensibilidade e qualidade, e fazia isto mantendo um grande apelo popular”.

Homem de visão pioneira, Rubem Braga fundou em 1968, com os mineiros Otto Lara Resende e Fernando Sabino, a Editora Sabiá. Esta revelou o talento de Oswaldo França Júnior para o romance e lançou no Brasil os latino-americanos Gabriel Garcia Márquez, Jorge Luis Borges e Pablo Neruda.

Dono de um estilo pessoal, que só encontra concorrência nas crônicas de Machado de Assis, Rubem Braga dizia escrever para ser publicado no dia seguinte. No entanto, seus textos se perpetuaram pela objetividade, simplicidade de estilo, humor e caráter poético. Também escrevia versos, embora seu único livro de poemas tenha sido póstumo.

Estilo de mestre

As duas décadas de ausência do mestre da crônica deveriam servir de mote para a reflexão daqueles que hoje preenchem as páginas dos jornais com textos apressados, pretensamente chamados de crônicas. Como poucos, o “urso” Rubem Braga sabia mesclar elementos do jornalismo com a literatura, essência dos verdadeiros cronistas como Machado de Assis, Fernando Sabino, Carlos Drummond de Andrade e Nelson Rodrigues – para citar apenas alguns.

Sua passagem pela redação do Diário da Tarde, bem como sua relação com o jornalismo mineiro que lhe serviu de escola, também deveriam inspirar eventos que pudessem resgatar sua presença entre nós.

Segundo Afrânio Coutinho, crítico literário (outra função que vem desaparecendo da grande imprensa), a marca registrada da obra de Rubem Braga é a “crônica poética, na qual alia um estilo próprio a um intenso lirismo, provocado pelos acontecimentos cotidianos, pelas paisagens, pelos estados de alma, pelas pessoas, pela natureza”.

* Artigo publicado nos sites www.jornalistasdeminas.org.br e www.observatoriodaimprensa.com.br .

Finalizada a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), setores empresarias publicam notas e editoriais denunciando o que seria um risco à democracia e à liberdade de expressão no país. Curiosamente, o evento foi organizado justamente em nome da democracia e da liberdade de expressão.

Independentemente das intenções desse ou daquele grupo, o fato é que também os empresários da comunicação foram convidados a participar do diálogo que se travou em Brasília, entre os dias 14 e 17 de dezembro. Foi a primeira vez na história nacional que governos (federal, estaduais e municipais), sociedade civil e sociedade civil empresarial tiveram a oportunidade de se reunir para tratar de assuntos relevantes relacionados à comunicação e à mídia.

Em vez de sentarem à mesa para defender seus pontos de vista de maneira direta e transparente, entidades como a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), bem como alguns jornalões de circulação nacional, preferiram boicotar a Confecom, pensando que assim ela pudesse ser ofuscada. Como não alcançaram esse intento, agora querem desqualificar a conferência denunciando a aprovação de propostas que ameaçam seus interesses. No seu discurso durante a abertura da conferência, o presidente Lula comparou os ausentes a avestruzes que enfiam a cabeça na areia quando se sentem ameaçados.

Governo Serra se esquivou

As pressões da grande mídia começaram antes mesmo do evento nacional tomar forma. Em São Paulo, por exemplo, a conferência estadual teve que ser convocada pela Assembleia Legislativa. O governo estadual se esquivou dessa responsabilidade, provavelmente para não contrariar a grande imprensa às vésperas de um ano eleitoral.

Ora, a convocação da Confecom pelo executivo federal cumpre um dispositivo constitucional e suas deliberações ainda terão que virar lei para de fato se tornarem realidade. Por incrível que pareça, o Brasil ainda não tem uma lei de comunicação. As leis da radiodifusão, do Cabo e das Telecomunicações já se mostram ultrapassadas em vários aspectos, principalmente devido ao avanço das tecnologias e ao surgimento de novos meios de informação.

Embora muitas das mais de 600 propostas aprovadas na Confecom possam ser polêmicas ou até mesmo utópicas, o fato é que elas refletem o anseio da sociedade civil organizada, dos governos e de empresários que se fizeram representar nas discussões que tomaram conta do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. Lá estiveram, por exemplo, o presidente da Rede Bandeirantes, Johnny Saad, e o ministro das Comunicações, Hélio Costa, visto como um representante dos grandes grupos de comunicação. Mesmo sendo vaiados durante a abertura da conferência, ambos defenderam seus pontos de vista em total respeito aos demais participantes.

Entidades perdem o trem da história

O que certamente mais incomoda os grandes grupos de comunicação é justamente o risco de perderem dinheiro e poder. Em plena crise da mídia impressa e com a crescente ameaça atribuída aos novos meios, como Internet e Twitter, empresários do setor que não quiseram expor seus motivos e defender seus interesses na Confecom tentam agora acusar os grupos participantes de golpistas e autoritários. Sequer admitem discutir os critérios de concessão de rádio e TV ou a criação de uma entidade normativa para o exercício do Jornalismo no país.

Há que se notar que a maioria das propostas analisadas pelos Grupos de Trabalho foi exaustivamente discutida. Muitas acabaram sendo aprovadas por consenso, inclusive com a anuência de representantes do segmento empresarial que compareceram à Confecom. O fato é que a ANJ e a Abert, entidades que conspiraram contra a Lei de Imprensa, o diploma e a própria regulamentação da profissão de jornalista, estão perdendo o trem da história e agora esperneiam discursando em nome da liberdade. É bom lembrar que foi também em nome da liberdade que os militares tomaram o poder em 1964, sendo apoiados por órgãos de imprensa que passaram a lucrar com o regime autoritário que durou duas décadas.

Os conservadores reclamam, por exemplo, da sugestão de criação dos conselhos nacional, estaduais e municipais de comunicação. Alegam que o principal objetivo desses órgãos seria censurar a imprensa a serviço de ideologias esdrúxulas e antiquadas. Será mesmo? Até que ponto a Ordem dos Advogados do Brasil e os conselhos nacional e regionais de Medicina, Odontologia ou Veterinária estariam a serviço dessas mesmas ideologias?

Pelo que consta da proposta aprovada na Confecom, os conselhos de comunicação deverão ser constituídos por representantes da sociedade civil e dos próprios comunicadores, sem a tutela do Estado. O objetivo seria semelhante ao dos demais conselhos de categorias profissionais, que atuam no país sem colocar em risco a liberdade de pensamento ou de informação. Também irrita o setor empresaria a possibilidade de se proibir a propriedade cruzada de veículos de comunicação, prática esta coibida legalmente nos Estados Unidos e em outros países.

Código de ética causa irritação

Outro item que incomoda os capitães da comunicação é a proposta de criação de um Código de Ética do Jornalismo, sendo este extensivo aos jornalistas e aos veículos onde trabalham. Por que será que a palavra ética irrita tanto esses senhores, uma vez que se dizem defensores da liberdade e da democracia? Provavelmente pretendem continuar usando os meios de que dispõem para defender interesses privados ou de grupos políticos sem dar satisfação a ninguém, indiferentes aos anseios da sociedade brasileira.

Se quem não deve não teme, por que temer a vigência de regras que visam justamente o respeito à privacidade individual e aos direitos do cidadão? Imaginar que uma federação de jornalistas, como a Fenaj, estaria defendendo a volta da censura seria jogar por terra toda uma história de militância contra o autoritarismo na qual os profissionais da informação tiveram papel preponderante.

Seja lá como for, a Confecom saiu do papel para se tornar realidade e, segundo seus organizadores, a ideia é que ela se realize a cada dois anos. Suas propostas não têm o peso de lei e muita água vai correr embaixo da ponte até que algumas possam de fato entrar em vigor. Os empresários que se omitiram no primeiro momento e que agora reclamam dos resultados ainda terão tempo para cruzar essa mesma ponte e participar da segunda edição, programada para 2011. Afinal, esse é o lado mais chato da democracia: conviver com as diferenças, defender ideias de maneira transparente, gastar saliva para convencer os outros e aceitar a derrota, sempre que nos colocarmos contra o desejo da maioria.

* Artigo publicado também nos sites www.jornalistasdeminas.org.br, www.observatoriodaimprensa.com.br e www.fenaj.org.br

 

 

Os governantes e a imprensa

Na terça-feira (8/12), o papa Bento 16 criticou a maneira como a imprensa retrata e aumenta os problemas que as cidades enfrentam. Ele disse que os veículos de comunicação tendem a fazer com que o cidadão se sinta sempre um espectador, como se o mal só atingisse os outros. As declarações do pontífice foram feitas diante do monumento da Imaculada Conceição, em Roma. O papa também afirmou que a repetição das más notícias faz com que as pessoas se acostumem com as coisas horríveis, tornando-se cada vez mais insensíveis.

No mesmo dia, o boliviano Evo Morales, reeleito presidente, disse que há “liberdade de expressão exagerada” em seu país e se queixou da falta de apoio por parte dos jornais durante a campanha eleitoral. “Sou uma vítima permanente da imprensa”, desabafou a uma jornalista que o entrevistava em Cochabamba.

Enquanto isso, no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também cultiva o hábito de criticar a imprensa. Em recente encontro com seus colegas Morales, Hugo Chávez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai), durante o Fórum Social Mundial realizado em Belém do Pará, ele disse ter sofrido uma campanha contrária da elite e de setores da mídia por causa do escândalo do mensalão, em 2005.

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB) não fica atrás nas reclamações. Na quinta-feira (10/12), ele acusou parte da imprensa de mentir e manipular dados em favor do PT. A declaração foi dada enquanto comentava supostos cortes nos investimentos em obras na Bacia do Alto Tietê, região afetada pelas fortes chuvas na semana passada. Faltou acusar a imprensa também pelo dilúvio.

Violência e censura

O que todo governante precisa entender é que a função da imprensa – reacionária ou não – é justamente fiscalizar aqueles que exercem o poder, sejam eles de esquerda ou de direita. A diferença entre uma democracia e uma ditadura é que, no primeiro caso, vive-se o pleno estado de direito e liberdade (inclusive de expressão), enquanto no segundo usa-se a censura, a cadeia, o exílio e – não raro – o assassinato para calar jornalistas e donos de jornais.

Bento 16 tem razão em parte, quando diz que a repetição da má notícia endurece os cidadãos, fazendo com que se acostumem com o mal. No entanto, isso não é culpa dos meios de comunicação, cuja missão é justamente noticiar aquilo que ainda não virou regra. Lembro que no curso de Jornalismo um professor dizia que só é notícia aquilo que é exceção e que chama atenção justamente por quebrar a rotina da sociedade.

Pelo mundo afora o noticiário contribui para depor governos corruptos e desmascarar mistificadores que roubam o povo. Ninguém pode negar que a cobertura da Guerra do Vietnã pela imprensa norte-americana contribuiu – e muito – para o fim do desastroso conflito. A vitória de Obama nas últimas eleições para a Casa Branca decorreu muito da maneira como a imprensa tratou Bush no final do seu governo.

Tal liberdade não existe, por exemplo, no Irã, onde a violência de Estado e a censura à imprensa fazem lembrar as práticas da Alemanha nazista. Aliás, é difícil ver com bons olhos a visita de Ahmadinejad a países sul-americanos que tanto já sofreram com governos autoritários. Pior é que nenhum dos seus anfitriões lhe cobrou o devido respeito aos direitos humanos.

A boa relação com o PMDB

Em suas queixas contra a imprensa boliviana, Evo Morales usa uma expressão preocupante, ao se referir à “liberdade de expressão exagerada”. Liberdade nunca é exagerada, pois existem limites determinados pela própria lei do Estado democrático, que prevê punição para caluniadores e difamadores inclusive nos meios de comunicação.

O contraponto do bom estadista é fazer um bom governo e mostrar superioridade moral diante das críticas que recebe. Fora disso, o remédio seria a mordaça, como a que vem sendo imposta no Brasil ao jornal Estado de S. Paulo, impedido de noticiar a apuração do escândalo que envolve Fernando Sarney.

Lula, a exemplo de Morales, sempre reclama da mídia. Ele acha um absurdo que os jornais tenham questionado sua relação com políticos do PT e da base aliada do seu governo envolvidos no escândalo do mensalão. Apesar do denuncismo, até hoje pairam dúvidas sobre o caso: afinal, o presidente sabia ou não do esquema? Se ele sabia, por que não responsabilizou os envolvidos antes que a imprensa levasse o fato ao conhecimento da opinião pública? Se não sabia, por que não cortou laços com os envolvidos que traíram sua confiança e se beneficiaram da proximidade com o poder?

Mais recentemente, Lula também criticou a imprensa por denunciar (tardiamente) as práticas do senador José Sarney e ainda pressionou o PT a votar em favor da manutenção do mesmo na presidência do Senado. Em vez de defender o Brasil dos atos secretos praticados na câmara alta, o presidente da República preferiu preservar sua boa relação com o PMDB, partido da base aliada do qual necessita para tentar eleger Dilma Rousseff sua sucessora.

Autoritarismo e confronto

Claro que muitas vezes a imprensa está a serviço das elites e Lula não é o primeiro presidente brasileiro a se queixar do noticiário publicamente. Mas os banqueiros também representam essas mesmas elites e nunca lucraram tanto quanto hoje, cobrando juros exorbitantes e prestando serviços deficitários à população. Apesar disso, ninguém é louco de fechar as agências bancárias. Pelo contrário, o governo sempre socorre instituições financeiras que se encontram em dificuldades – e quem paga a conta, no final das contas, é o povo.

Ninguém de bom senso duvida que a imprensa brasileira deva ser democratizada, como propõem os organizadores da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que está sendo realizada em Brasília. Contudo, em vez de limitar a circulação de informações o país precisa pensar grande e criar condições para que se ampliem as possibilidades comunicativas. A estratégia correta seria dar voz a setores excluídos da sociedade civil, que sequer têm acesso à internet ou à boa educação. O melhor modo de fazer isso é propiciar a criação de novos canais de comunicação, contrariando grandes grupos da mídia que se esforçam para manter o monopólio informativo no país.

Se as igrejas têm emissoras, por que uma associação ou sindicato não poderia ter seu próprio canal de rádio ou TV? Rádios e televisões são concessões federais e deveriam dar maior retorno do ponto de vista social, abrindo o debate sobre os grandes temas nacionais, prestando serviços educativos, valorizando as culturas regionais e ouvindo os excluídos. Mas como alcançar esse objetivo se os políticos que votam tais concessões são donos de emissoras que se beneficiam do processo?

Querer que a imprensa se cale simplesmente por considerá-la conservadora seria uma atitude equivocada. Nos tempos da ditadura a justificativa para tal arbitrariedade era acusá-la de subversiva, justamente o contrário do discurso atual. Radicalismo, não importa de que lado venha, sempre conduz a práticas autoritárias e ao confronto. O principal objetivo do Estado democrático é justamente mediar as relações sociais, garantindo direitos e fiscalizando o cumprimento dos deveres recíprocos.

O resto é publicidade

O monopólio das comunicações, essa prática obtusa que sempre limitou o conhecimento, sobretudo em países do Terceiro Mundo, já vem sendo desgastado pela própria ação da internet. Quando os governos ampliarem o acesso das massas a uma boa educação e também à banda larga, a verdade absoluta das elites será diluída por vias alternativas de informação, dando voz a diferentes sujeitos e desmascarando os ridículos tiranos. Por isso mesmo alguns poderosos tentam cercear a liberdade na rede. Veja-se o caso da blogueira cubana Yoani Sánchez, que tem denunciado o arbítrio em seu país sendo duramente combatida pelos simpatizantes do regime castrista.

No Brasil, temos no momento o escândalo que envolve o governo do Distrito Federal. Em outros tempos, pouca gente saberia do caso, pois a mídia local a serviço do poder o ocultaria com sucesso, tentando confundir a opinião pública. Pelo que se vê, o Correio Braziliense tem tentado usar esse antigo ardil, comportando-se como se fosse o único canal de notícias do Planalto Central.

Ao querer preservar a imagem do governador José Roberto Arruda, o jornal cai em descrédito, podendo amargar sérias consequências no médio prazo. A conduta antiética da imprensa há de ser julgada por leitores e anunciantes. Se o Washington Post tivesse adotado tal comportamento com relação ao caso Watergate, certamente teria fechado suas portas por falta de assinantes – inclusive entre os eleitores republicanos. Outro deslize da imprensa brasileira foi a recente publicação do artigo de César Benjamim, no qual o sociólogo calunia o presidente da República ao narrar uma história fantasiosa. Os leitores estão dando o troco à Folha de S. Paulo.

Ainda bem que os governantes continuam se queixando da imprensa em várias partes do mundo. O papa, Morales, Lula e Serra têm todo direito de reclamar, mas só o fazem porque os jornalistas estão desempenhando seu papel. Afinal, a despeito dos interesses dos próprios veículos de comunicação, a principal função da imprensa continua sendo fiscalizar o exercício do poder. E ai do país cuja mídia vive a bajular os poderosos, sejam eles progressistas ou conservadores! Como disse o escritor e jornalista inglês George Orwell, autor dos livros 1984 e A Revolução dos Bichos, “jornalismo é publicar o que alguém não quer que seja publicado; todo o resto é publicidade”.

* Publicado no site www.observatoriodaimprensa.com.br

 

 

Melhor e pior para quem?

Não há dúvidas sobre o talento literário do romancista Cormac McCarthy. Herdeiro da melhor tradição romanesca da América, seu estilo mistura influências de Ernest Hemingway, William Faulkner e Norman Mailer. Contudo, considerar seu romance A Estrada o melhor livro da década parece exagero. Mas foi exatamente isso o que fez a equipe responsável pelo suplemento de literatura do jornal inglês The Times.

Trata-se, de fato, de um excelente romance, mas não é melhor que o anterior do mesmo autor, intitulado Onde os velhos não têm vez e levado ao cinema pelos irmãos Cohen – exibido no Brasil como Onde os fracos não têm vez. Outro dado a se observar é que a presente década ainda não terminou. Precipitar a escolha é ignorar o que ainda pode vir por aí. Afinal, ninguém garante que não serão publicados livros mais contundentes ainda em 2009. Por outro lado, os senhores jurados não leram todas as obras publicadas no mundo desde o ano 2000 – tarefa humanamente impossível.

Divulgada no Brasil pela Folha de S.Paulo, a lista do Times inclui outros nove títulos, entre eles O Código da Vinci, de Dan Brown. Esse aparece em 10° lugar e ainda encabeça a lista dos piores livros da década. Outro exagero do jornal, cujos critérios de julgamento permitem misturar gêneros diferentes para criar conceitos nos quais vigora o ponto de vista de colunistas e críticos supostamente especializados.

O pior da história é que o Times não é o único veículo da imprensa mundial a publicar esse tipo de lista, geralmente baseada em opiniões pessoais nem sempre insuspeitas.

Honestidade e competência

A Estrada é de fato um grande romance e, como tal, é também uma obra de arte literária. Nesse sentido, sua leitura nos remete às grandes questões da condição humana. Diante de uma hecatombe não revelada, pai e filho perambulam numa paisagem inóspita como retirantes do fim do mundo. A atmosfera é de medo e suspense e remete às mudanças climáticas e à possibilidade de um apocalipse nuclear.

O Código da Vinci deve ser considerado apenas um livro de entretenimento, escrito com a técnica de redação dos best-sellers depois de muita pesquisa. A polêmica por ele despertada resultou muito mais da visão equivocada de leitores despreparados e do marketing da editora do que propriamente da intenção do autor. O livro é de leitura fácil e despretensiosa. Funciona como um passa-tempo sem maiores consequências.

Em outras palavras, uma obra não tem nada a ver com a outra, a não ser o fato de serem livros de ficção, frutos da criatividade e da imaginação de seus respectivos autores. São modelos diversos de literatura e em momento algum apresentam semelhanças técnicas ou estilísticas que lhes permitam algum tipo de comparação.

Tanto isso é verdade que parece natural gostar de um e odiar o outro simplesmente por representarem dois extremos no ofício da ficção. Em termos gastronômicos, seria o mesmo se comparássemos feijoada e caviar. No entanto, devemos reconhecer que, em ambos os casos, os autores atingiram seus objetivos com a devida honestidade e muita competência.

Interesses, modismos e preconceito

Em todo fim de ciclo ocorre a mesma coisa. Por falta de criatividade, jornais, revistas e sites especializados publicam pelo mundo afora suas polêmicas listas de melhores e piores. Influenciada pela imprensa estrangeira, a mídia brasileira também comete a veleidade de dar o veredicto sem que seus colunistas jamais tenham lido todos os livros disponíveis no mercado. Agem movidos pelo gosto pessoal ou pelo interesse comercial da casa, como se a opinião de meia-dúzia de pretensos especialistas pudesse de fato influenciar o gosto dos leitores ou refletir a suprema verdade.

Se assim fosse, Paulo Coelho não seria hoje um dos maiores vendedores de livros do mundo. Sua literatura não tem a genialidade de Cormac McCarthy e tampouco se beneficia da técnica de Dan Brown. Apesar disso, mesmo sendo massacrado ou solenemente ignorado pelos críticos de plantão, o “mago” brasileiro agrada a leitores em diversos países. A qualidade de sua obra, no entanto, só será honestamente julgada pela posteridade.

Dar o veredicto final sobre uma obra em seu próprio tempo é sempre temerário. Tudo parece suspeito, pois geralmente os critérios de escolha dos melhores e piores adotados pela imprensa obedecem a interesses comerciais, a modismos passageiros, ao mero preconceito ou simplesmente à opinião pessoal dos resenhistas. Mesmo o Prêmio Nobel já não tem mais o peso do passado. Algum leitor saberia dizer de cor o nome dos cinco últimos contemplados?

“Destaques” são preteridos

Um livro, quando é bom, sobrevive ao tempo e à sombra do autor. É o caso de clássicos como Dom Quixote, Moby Dick, Crime e Castigo, Metamorfose, O Aleph, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Grande Sertão: Veredas. Quanto mais o tempo passa, mais eles se firmam como obras-primas de valor inquestionável e acima de suspeitas.

Em vez de divulgar livros de diferentes gêneros e fazer pesquisas para saber o que os leitores andam de fato lendo, gostando e compreendendo, a imprensa geralmente se satisfaz com a publicação do parecer de colaboradores tidos como especialistas. Basta lembrar que Diogo Mainardi começou na Veja como crítico literário, falando mal de autores como Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e Jorge Amado. Como ficou evidente que ele não entendia do assunto, colocaram-no para falar mal do Lula, o que não exige nenhum conhecimento teórico.

As poucas críticas publicadas raramente buscam analisar a obra em questão. Trazem mais adjetivos que substância. Do alto da prepotência e muitas vezes incapazes de escrever um simples soneto – ou mesmo um conto de poucas linhas –, profissionais da opinião analisam a arte alheia como galinhas catando milho no teclado do computador.

Em vez de escolher e divulgar os “destaques” do ano, da década ou do século, jornais, revistas e sites especializados insistem na desgastada fórmula competitiva de indicar os “melhores” e os “piores”. Agem como se a opinião dos leitores não representasse nada e as preferências de críticos e resenhistas resumissem tudo.

* Publicado no site www.observatoriodaimprensa.com.br, em 8/12/2009.

O suicídio dos grandes jornais

Por que será que os jornais impressos enfrentam dificuldades sem precedentes na história das comunicações? Principalmente no Brasil, o que mais se ouve falar é que a crise desses veículos decorre do avanço das novas mídias. Na tentativa de reverter o quadro, muitos diários acabam perdendo ainda mais leitores e assinantes, não lhes restando outra saída, senão fechar as portas.

O Monitor Campista, órgão dos Diários Associados com 175 anos de história, é um exemplo disso. O jornal sobreviveu durante décadas graças ao contrato de publicação do Diário Oficial do Município de Campos dos Goytacazes, no Norte fluminense. Como a Justiça decretou o fim da “boquinha” típica dos tempos do velho Chateaubriand, a empresa simplesmente não soube como enfrentar a dura realidade do mercado. Confirmando o ditado, o vício do cachimbo deixou a boca torta.

A indiferença pela análise dos fatos, a ausência de compromissos sociais, o atrelamento a interesses políticos e econômicos contribuem cada vez mais para a derrocada de grande parte dos jornais brasileiros. Simplesmente culpar a Internet parece ser uma atitude cômoda, principalmente quando tentam imitá-la em sites de notícias de acesso complicado e que mais parecem colchas de retalhos.

Capacidade de adaptação

Vale lembrar que o rádio não acabou devido à concorrência da TV e esta não ofuscou o cinema; tampouco reclama da concorrência das novas mídias que assolam o planeta. A radiodifusão se beneficiou das tecnologias para redefinir sua natureza e ressaltar a grande vantagem que tem diante dos novos meios. Nenhum veículo de comunicação de massa consegue ser mais ágil e fácil de acessar que as ondas médias e curtas do velho dial. Isso ficou claro no black-out que assolou 12 estados brasileiros e parte do território paraguaio. Quando as grandes redes de TV resolveram interromper a programação para noticiar o fato, emissoras de rádio de todo o país já buscavam explicações para o mesmo – tendo a seu favor o popular radinho de pilha.

A televisão, por sua vez, ganhou nova dinâmica com as novas tecnologias, melhorando a qualidade da imagem e buscando a interatividade com os telespectadores. O cinema, que no primeiro momento perdeu público para a TV, passou a produzir séries e longas-metragens para a telinha sem, no entanto, abrir mão das superproduções que só funcionam bem na telona. Hoje, as grandes produções de Hollywood são fartamente divulgadas nos jornais, no rádio, na TV e na Internet.

Em vez de se adaptarem às adversidades e tirar proveito de suas particularidades, os jornais impressos insistem nas velhas fórmulas. Seus proprietários e diretores mostram-se incapazes de reagir à concorrência eletrônica com criatividade. Fenômeno semelhante ocorreu com as grandes gravadoras, que simplesmente entraram em pânico diante das novas tecnologias que já nos permitem dispensar o CD. Como escorpiões desesperados na roda de fogo, executivos de jornais antecipam a tragédia como se cometessem suicídio.

Manchetes redundantes

Quem se der ao trabalho de parar diante de uma banca de revistas há de perceber algo de óbvio nas capas dos jornais. Basta um veículo de expressão nacional apontar um caminho para que todos os outros caminhem na mesma direção. Daí a repetição de temas ou mesmo a coincidência de manchetes nem sempre criativas. Publicações regionais ficam de olho nas agências de notícias para não desafinar do diapasão da concorrência. Na tentativa de se tornarem jornais de expressão nacional, ignoram temas locais ou fazem uma cobertura tosca dos fatos que realmente poderiam interessar aos leitores.

As notícias que saem hoje no rádio, na TV e na Internet serão manchetes nos jornais de amanhã – e sem nenhum acréscimo analítico ao fato ocorrido.
Falta de visão crítica diante dos grandes acontecimentos, economia a todo custo, demissões de bons profissionais e falta de gente especializada, experiente e contestadora contribuem cada vez mais para a queda de qualidade dos jornais impressos e para a consequente perda de leitores e anunciantes. Com tantos meios de comunicação ao alcance de todos, ainda existem veículos impressos que ignoram fatos relevantes ou manipulam a notícia na ilusão de enganar a opinião pública.

No momento em que a velocidade da informação chega a estressar as novas mídias, publicações impressas teriam a seu favor justamente a possibilidade de analisar a notícia com algum tempo pela frente, aprofundando a reflexão para mostrar os diversos ângulos da realidade. Nenhuma mídia supera a palavra impressa, que tem a seu favor o fato de se perpetuar como documento histórico. Pode-se dizer que, de certa forma, os jornalistas é que escrevem a história.

Valorização profissional

Para que isso seja feito, no entanto, seria necessário investir na contratação e na valorização de repórteres e colaboradores éticos e bem-formados, com conhecimentos acima da média. Tal estratégia, no entanto, custaria dinheiro e este vem principalmente dos cofres públicos, por meio de anúncios, matérias pagas, financiamentos, tráfico de influência ou simples atrelamento editorial. Qualquer análise mais aprofundada de certos acontecimentos que interessam aos leitores poderia incomodar o principal anunciante ou parceiro da casa, fechando a torneira de recursos.

Em outras palavras, o estreitamento dos laços com o poder político e econômico fez com que a maioria dos jornais brasileiros perdesse o hábito de pensar e fazer pensar, de cobrar das autoridades em nome da sociedade – sem paixão ideológica e sem que o leitor desconfie das intenções do veículo. Se os brasileiros confiassem plenamente na imprensa, o episódio do mensalão teria resultado numa grande mudança sociopolítica, mas não foi isso o que ocorreu nas últimas eleições. O que dizer, por exemplo, da crise econômica internacional, que acabou mesmo virando “marolinha”? Ou da gripe suína, que ainda mata silenciosamente, mas sobre a qual a imprensa se calou depois do alarde apocalíptico dos primeiros momentos da suposta epidemia? Ou do caso Celso Daniel, que sumiu da mídia sem ser devidamente esclarecido?

O exagero, o sensacionalismo, a espetacularização da notícia e a falta de esclarecimento dos fatos podem até ser compreendidos na televisão ou na Internet, principalmente devido à pressa na apuração, ao impacto da imagem em movimento e à constante mudança nas informações. No entanto, pela própria natureza, caberia justamente aos jornais dar a palavra final sobre os grandes temas abordados pela mídia. Ao contrário disso, nossos diários geralmente se deixam levar pela concorrência eletrônica, como quem sobe num ringue de boxe calçando chuteiras em vez de luvas.

Grandes coberturas

Outra saída para a crise dos impressos seria investir nas grandes coberturas, em reportagens especiais e exclusivas sobre temas que possam realmente interessar ao público. Contudo, as empresas de comunicação se distanciaram tanto da notícia que jornalismo investigativo há muito deixou de ser pleonasmo. Esse tipo de trabalho pode custar caro, pois não seria nada ético mandar um repórter viajar sob o patrocínio de terceiros. Mesmo assim, parece comum que alguns profissionais da notícia viajem a convite de empresas, clubes esportivos ou governantes de plantão. Nesse caso, como garantir distanciamento para que se tenha independência crítica nas reportagens?

Na maioria dos grandes jornais, as manchetes de capa quase sempre dizem respeito às editorias de Economia e Política, embora toda pesquisa de opinião demonstre que esses são os temas que menos interessam aos leitores. No entanto, interessam – e muito – aos donos dos jornais, pois é nesse tipo de noticiário que se digladiam os grandes interesses. A prestação de serviços também deixa a desejar, na medida em que se divulga aquilo que é mais do interesse dos veículos – ou dos próprios jornalistas – do que dos leitores. Ainda na tentativa de popularizar os jornais, publicam-se matérias para um suposto público jovem pouco dado à leitura, deixando de atender ao interesse de leitores cativos, hoje considerados velhos e fora de moda.

No momento, empresas que editam grandes jornais se rendem à tentação dos tablóides destinados aos leitores das classes C e D. Esse é o preço que pagam por não terem contribuído de fato na luta contra o analfabetismo e em favor da qualificação do ensino público no país. Até quando esse veio dará ouro, é outra boa pergunta a se fazer. A resposta, certamente, daria outro longo artigo. Diante de tantos equívocos, fica fácil compreender porque é que os grandes jornais agonizam – e seus donos ainda culpam a Internet.

*Artigo publicado no site www.jornalistasdeminas.com.br e replicado no www.observatoriodaimprensa.com.br, em 1°/12/2009.

 

Pela volta do diploma de jornalista

O fim da exigência do diploma de jornalista para o exercício da profissão no Brasil obedece a vontade de mentes sinistras, que em momento algum apresentam justificativa plausível para a desastrada decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A luta pela volta do diploma que vem sendo conduzida pela categoria na Câmara Federal tem sofrido percalços, já que representantes do patronato das comunicações insistem em manter sua posição retrógada.

Num país que ainda deixa a desejar no quesito escolaridade, é no mínimo um retrocesso suspender a necessidade de formação adequada para o exercício desta ou de qualquer profissão já regulamentada. Quando o presidente do STF, Gilmar Mendes, comparou os jornalistas a cozinheiros e alegou que o mau exercício da profissão não oferece riscos à sociedade, ele certamente ignorou os riscos de envenenamento (no caso dos cozinheiros) e de calúnia e difamação (no caso dos jornalistas).

Para justificar a decisão do STF, uma parte daqueles que insistem no fim do diploma alega que, para exercer o jornalismo, não há necessidade de curso superior. Outros sustentam a falsa premissa de que a exigência do diploma para escrever em jornais atenta contra a liberdade de expressão – supondo-se que aqueles que não têm formação adequada não poderiam escrever em veículos de comunicação. Ledo engano! Afinal, qualquer pessoa pode ser convidada a se manifestar como colunista ou a colaborador na imprensa diária, desde que escreva sobre matéria de seu domínio. Opinar é direito de todos. Por isso mesmo, jornais e revistas mantêm espaços para cartas de leitores e artigos de colaboradores não necessariamente diplomados em jornalismo. O diploma era exigido para o cumprimento de tarefas típicas da profissão, como fazer reportagens, entrevistar e editar matérias.

Há ainda aqueles que afirmam que o diploma de Jornalismo foi instituído durante o período de arbítrio da ditadura militar e que por isso mesmo fere a Constituição Federal promulgada em 1988. Curiosamente, quem usa esse argumento para justificar o equívoco cometido pelos juízes do STF não oferece nada em troca, simplesmente defende o fim da diplomação e do curso superior de Jornalismo. Nessa linha de pensamento, não seria preciso diploma para ser advogado ou juiz do Supremo, bastando quando muito conhecer as leis.

Na verdade, boa parte dos donos de jornais e revistas odeia os jornalistas justamente devido ao seu perfil questionador. Estes por sua vez, justamente por terem formação superior, noções de ética e responsabilidade profissional geralmente resistem ao monopólio da informação e à manipulação da notícia pelos empresários de comunicação, prática geralmente imposta por chefes de redação que se colocam cegamente a serviço dos patrões e de grupos políticos e/ou empresariais seus aliados. Se existe alguma verdade no noticiário, isso ocorre principalmente devido ao senso de responsabilidade de profissionais bem formados e de boa índole.

Acabar com a exigência do diploma é nivelar o jornalismo por baixo, na categoria de profissões não regulamentadas, para as quais ainda não existe curso superior. Ao nos comparar com cozinheiros, Gilmar Mendes parece ignorar que alguns deles já estão frequentando bancos de universidades em busca de especialização e de melhores ganhos no mercado internacional dos chefs de cozinha.

Sem diploma, os jornalistas deixam de constituir uma categoria profissional de nível superior, o que certamente contribuirá com o interesse patronal que deseja achatar nossos ganhos ao extremamente necessário. Quem trabalha em redação sabe que o volume de tarefas sobe na proporção inversa aos salários. O investimento de algumas empresas no chamado jornalismo convergente, obrigando seus profissionais a escrever para mais de um meio ou veículo ao mesmo tempo, comprova o aumento da mais-valia sem nenhum respeito às leis do trabalho.

Por outro lado, ninguém fala em fiscalizar os cursos de comunicação, para saber se o ensino que oferecem é mesmo de qualidade e se está adequado às exigências do mercado. O que querem alguns é de fato alinhar por baixo os jornalistas, condenando-os ao baixo salário, ao aumento da carga de trabalho e ao não comprometimento com a ética e a qualidade da notícia. Em outras palavras, querem empregar profissionais afáveis, obedientes, despreparados ou vendidos aos interesses patronais sem nenhuma preocupação com a veracidade da notícia, na base do “dane-se o leitor”. A maioria dos donos de jornais quer mesmo é ganhar dinheiro a rodo, usando seus respectivos veículos de informação para defender interesses próprios e eleger políticos que rezam em suas cartilhas.

Apesar disso, muitos coleguinhas ainda se colocam na posição de observadores desinteressados da luta que agora se trava pela volta do diploma. Agem como se não acreditassem na reversão da história em nosso favor, ou como se fossem apenas coadjuvantes nessa novela de final imprevisto. Em vez de se mobilizarem em nome da dignidade profissional, acreditam que as coisas são como são e que o homem não é mais sujeito da própria história. É preciso defender nas redações o pouco que ainda resta de dignidade, responsabilidade e respeito profissional. Caso contrário, a profissão de jornalista deixará de existir e a qualidade da informação estará irremediavelmente comprometida em nosso país.

* Artigo republicado nos sites www.sjpmg.org.br/novo/, www.observatoriodaimprensa.com.br e www.fenaj.org.br 

Inimigo público

Ele nunca tinha matado ninguém. Pior que isso, nunca tinha roubado, estuprado ou traficado seja lá o que fosse. Por isso mesmo foi condenado à pena máxima: 150 anos de trabalhos forçados ou redução da pena mediante morte súbita. Somente assim a sociedade pôde respirar aliviada. Tratava-se do inimigo público número um. Aquele que, desde a infância, recusava-se a cometer qualquer tipo de delito, por menor que fosse.

 

Tudo começou aos sete anos de idade, quando ele cedeu seu lugar no ônibus a uma velhinha. Todo mundo ficou surpreso e os vizinhos que se encontravam a bordo chegaram a comentar o fato. Mas ninguém levou aquilo muito a sério. Ele é só uma criança, alguém comentou.

 

Alguns dias depois, o que parecia ter sido uma simples travessura da infância aconteceu novamente. A mãe, que estava com ele, não teve outra alternativa senão repreendê-lo na frente dos demais passageiros, que já se mostravam injuriados com o menino.

 

Já aos 13 anos, ele se recusou a consumir uma droga oferecida pelo primo, que era seu colega no primeiro grau. A notícia logo se espalhou e tanto a família quanto a diretora do estabelecimento de ensino se horrorizaram. O ópio custa tão caro e esse menino simplesmente não aceita a oferta do primo que tanto o admira? Quem ele pensa que é? - muitos comentaram.

 

E ele continuou ignorando esse tipo de  pressão. Aliás, acostumou-se com aquela forma de tratamento. Consciente de sua própria rebeldia e - por que não? - orgulhoso de ser um adolescente do  tipo  rebelde  e contestador, foi várias vezes suspenso da escola e quase tomou bomba por questionar os ensinamentos antiéticos de seus professores.

 

Os pais já não sabiam mais o que fazer. O padrinho, que além de ser seu tio era também um deputado federal várias vezes investigado por corrupção - e por isso mesmo reeleito duas vezes para o cargo - simplesmente rompeu os laços afetivos com a família. Não quero ser lembrado como parente de um caso perdido como esse, justificou. Seu irmão, pai do garoto problema, lamentou o fato. Como sempre fazia, castigou o filho, passando-lhe uma descompostura e repetindo as desvantagens de ser uma pessoa que não se mostra enquadrada no sistema.

 

Aos 17 anos, o jovem problema cometeu um legítimo ato de atentado ao pudor. Em plena fila de alistamento militar, socorreu um recruta que, estando de sentinela há várias horas, desmaiou sob o intenso sol do verão. Se você fosse um militar, seria levado à corte marcial, disse um sargento, furioso diante do fato inusitado jamais ocorrido em seu pelotão. Dispensado do serviço obrigatário, conseguiu arranjar emprego numa agência bancária da cidade. Mas não durou muito no emprego. Acabou sendo demitido por justa causa depois de se recusar a tomar parte num desfalque planejado pelo gerente.

 

Jamais pensei criar um filho pra isso, desabafou o pai numa discussão em família. Trabalhar honestamente como caixa de banco, isso é um absurdo! Calma, pediu-lhe a mulher, sempre paciente. Ele é ainda muito jovem, há de aprender com a própria vida.

 

Não aprendeu. E por isso mesmo, aos 30 anos, tendo já uma enorme ficha criminal - que incluía multas de trânsito por respeitar o sinal vermelho e por jamais estacionar em fila dupla - acabou sendo preso em flagrante ao tentar salvar uma jovem de ser estuprada por um padre dentro de uma igreja do seu bairro.

 

Apesar de nunca ter aprovado suas atitudes, o pai contratou os serviços do melhor advogado da cidade, um eminente professor de Direito que já havia tirado da cadeia vários chefões do crime organizado. Tudo foi em vão, pois a promotoria agiu com incrível competência, apresentando várias testemunhas e comprovando todos os crimes praticados pelo réu.

 

No final do demorado julgamento, que catalisou a atenção da imprensa e mobilizou a opinião pública do país, o veredicto foi unânime. Um elemento de tamanha periculosidade, verdadeira ameaça aos interesses do sistema vigente, não poderia continuar às soltas, incomodando as pessoas normais que obedecem cegamente aos mandamentos da lei de sobrevivência.

 

Hoje, ele está confinado numa cela escura em alguma das penitenciárias privadas do país, cuja especialidade é justamente punir aqueles que se recusam a levar vantagem na vida. Um país onde os homens honestos andam sempre de cabeça baixa, porque é isso que lhes convém.

 

* Conto publicado na revista da Academia Mineira de Letras, aqui dedicado ao amigo e grande jornalista Dídimo Paiva.

 

Iniciativa para valorizar a leitura

Participei, no último fim de semana, do 4º Salão do Livro Vale do Aço, evento literário sediado em Ipatinga e Coronel Fabriciano (MG) sob a curadoria do jornalista e escritor Adriano Macedo. Com exposições, mesas-redondas, contações de história, apresentações teatrais e oficinas de arte e literatura, o salão homenageou a memória de Fernando Sabino, representado pelo filho Bernardo, sendo uma realização conjunta da Paralelo, AHPCE Eventos e Instituto Cultural Usiminas, empresa patrocinadora desde a primeira edição.

Lá também estiveram Branca Maria de Paula, Daniel Munduruku, Edmir Perrotti, Marilda Castanha, Nelson Cruz, Marcelo Xavier, Zélia Versiani, Ziraldo, Michele Iacocca, Aracy Alves Martins, Angela Leite de Souza, Neusa Sorrenti, Lino de Alberbaria e muitos outros. Convidados especiais, não puderam comparecer Afonso Romano de Sant’Anna e Bartolomeu Campos de Queirós, este por motivos de doença.

Eventos desse tipo funcionam como alternativa às bienais internacionais do livro, realizadas com muito dinheiro e grande repercussão no eixo Rio-São Paulo. Sem o apelo turístico que ajudou a alavancar os fóruns de literatura realizados em Parati e Ouro Preto, o Salão do Vale do Aço busca principalmente a participação de educadores e pedagogos da região, além do público infanto-juvenil. O principal objetivo é contribuir para a formação de leitores - grande desafio de educadores, autores e editores num país que ainda tem um dos piores índices de alfabetização da América Latina.

Além da oportunidade de divulgar seus livros sem necessariamente visar o sucesso comercial imediato, os escritores que há quatro anos comparecem ao salão abordam temas relacionados direta ou indiretamente às suas respectivas obras, mas fundamentalmente de interesse dos educadores presentes. Edmir Perrotti, por exemplo, comandou este ano o painel de abertura falando sobre “A importância da leitura no estímulo à descoberta do mundo e na formação da criança e do adolescente”. Temas como memória, descobertas, sentimentos e diferenças permearam outros debates, bem como a relação entre imagens e palavras no universo das letras.

Justamente por se tratar de um evento que ainda não tem o poder de marketing da Flip ou das bienais já consolidadas, é de se lamentar a pouca atenção dada pela mídia mineira ao Salão do Livro Vale do Aço. Realizado em vários locais, inclusive em cidades vizinhas de Ipatinga e Coronel Fabriciano, o evento busca justamente a descentralização do debate, na tentativa de levar a literatura a pessoas que nem sempre têm acesso a livros e escritores.

Trata-se, portanto, de iniciativa louvável, espécie de semente que germinou e cujo broto cresce a cada nova edição. Se isso não é suficientemente importante para motivar a pauta jornalística, fica explicado porque os jornais vêm perdendo leitores a cada dia. Com exceção do Hoje em Dia, representado pelo repórter Alécio Cunha, a imprensa belo-horizontina praticamente ignorou o evento.

Se os chamados homens de imprensa levassem em conta que alfabetização, literatura e hábito de leitura constituem o motor de interesse pela notícia impressa, provavelmente até mesmo a menor das feiras de livros realizada numa cidadezinha qualquer do interior mereceria notas e boa cobertura dos cadernos de cultura. Graças a isso e a outros fatores, a Feira do Livro de Porto Alegre resiste há mais de 50 anos, tendo se tornado uma das maiores do gênero na América Latina.

É preciso que a imprensa nacional se comprometa com iniciativas que visem promover a leitura e combater o analfabetismo no país. Sem isso, lamento informar, os jornais terão cada vez menos leitores e assinantes - e não adianta atribuir a culpa exclusivamente à internet! O diferencial da informação impressa é que ela pode documentar e analisar os fatos com a profundidade que eles merecem. No entanto, sem leitores qualificados isso se torna tardiamente inútil e desnecessário. Melhor, nesse caso, o tom espetacular da cobertura televisiva ou o noticiário virtual nem sempre consolidado. Jornais impressos? Só mesmo para forrarem gaiolas.

* Texto publicado no site www.observatoriodaimprensa.com.br, em 06/10/2009.